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BYD plataforma 3.0: como funciona a bateria Blade, Cell to Body e o sistema 8 em 1 na oficina
Por Ismael Fuentes
Os 4 pilares da plataforma 3.0 e seu impacto real na oficina
Existem fabricantes que evoluem o que já existe e outros que constroem a partir de uma abordagem totalmente nova. A BYD desenvolveu uma plataforma própria do zero.
BYD está introduzindo uma nova abordagem no setor automotivo. O ponto-chave é sua plataforma 3.0, uma arquitetura desenvolvida do zero que define o veículo desde sua base.
A partir dessa base, entende-se como o veículo é projetado, como se comporta e quais implicações isso tem no trabalho diário na oficina.
Esquema base da plataforma 3.0
- Bateria Blade (LFP)
- Integração estrutural (Cell to Body)
- Arquitetura de propulsão (Power 8 em 1)
- Gestão inteligente do veículo (energia + eletrônica)
Os quatro pilares formam um sistema único, onde cada elemento tem impacto direto no conjunto.
1. Bateria Blade (LFP)
A bateria Blade é baseada em química LFP (lítio ferrofosfato). Segundo o fabricante, é a bateria mais segura do mundo. Essa química permite maior estabilidade e uma vida útil elevada, alcançando até 5.000 ciclos de carga e descarga.
Foram realizados testes de perfuração, compressão e imersão, nos quais a bateria não pega fogo e suporta impactos e choques.
O design em forma de lâmina permite adaptá-la ao chassi do veículo, compensando a menor densidade energética da tecnologia LFP e permitindo integrar uma quantidade significativa de bateria mesmo em veículos compactos.
2. Integração estrutural (Cell to Body)
A bateria é integrada diretamente ao chassi do veículo e substitui a parte inferior da estrutura.
Essa abordagem reforça o conjunto, melhora a segurança em caso de impacto e contribuiu para a obtenção de cinco estrelas no Euro NCAP. Além disso, o peso fica centralizado, melhorando o comportamento dinâmico.
3. Arquitetura de propulsão (Power 8 em 1)
O sistema Power 8 em 1 agrupa em uma única unidade o carregador de bordo, o inversor, o motor elétrico, a redutora e o diferencial.
Essa integração permite concentrar os componentes, simplificar o sistema e melhorar a eficiência global.
4. Gestão inteligente do veículo (energia + eletrônica)
O sistema incorpora bomba de calor e uma gestão térmica baseada em gás refrigerante (R1234yf) para a bateria.
O circuito de anticongelante é utilizado para a eletrônica e outros sistemas auxiliares, tudo gerenciado por meio de uma bomba d'água elétrica.
A arquitetura eletrônica é organizada em três unidades principais: central eletrônica do lado esquerdo, central eletrônica do lado direito e unidade multimídia.
Considerações-chave na oficina
Além da arquitetura, há vários pontos práticos que condicionam diretamente o trabalho na oficina:
- Carga da bateria
A bateria LFP deve ser carregada a 100% sempre que possível. Esse processo favorece o balanceamento e o calibramento das células e não prejudica sua durabilidade.
- Sistema de refrigeração
A bateria é refrigerada por gás (R1234yf).
→ Qualquer vazamento no sistema de ar-condicionado afeta diretamente a bateria.
- Reparação da bateria
Não é modular.
→ Não é possível substituir módulos individuais, a intervenção afeta o pack completo.
- Peso do conjunto
A bateria tem um peso aproximado de 558 kg, o que condiciona as operações de manuseio e intervenção.
A BYD propõe uma arquitetura em que todos os sistemas estão diretamente relacionados. Essa abordagem obriga a entender o veículo de forma diferente e a levar em conta esses aspectos desde o diagnóstico até o reparo.
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